(Arquivo Pessoal)
Elaine Cristina Pereira Guimarães, viúva do técnico cinematográfico Celso Guimarães Silva, 49 anos, que morreu após sofrer um choque elétrico e cair de uma altura de quatro metros enquanto montava refletores para a gravação de um reality show, em um estúdio de propriedade do empresário Pablo Marçal, conversou com a reportagem sobre as circunstâncias da tragédia.
O acidente aconteceu em 25 de junho de 2023, no estúdio em Alphaville, e o falecimento no dia 28 de junho. Elaine reforçou que o marido não era eletricista e sim técnico cinematográfico. Ela destacou ainda que a morte foi consequência direta da falta de segurança no estúdio alugado pela produtora.
Celso atuava como maquinista e estava montando a estrutura de iluminação no espaço. Segundo Elaine, o profissional já havia fixado seis refletores e restavam apenas dois quando sofreu a descarga elétrica. "Quando ele foi fixar o talabarte no gride, que estava energizado, tomou um choque, caiu e se feriu gravemente. Morreu três dias depois, no dia do meu aniversário", relatou.
Celso havia sido contratado para um serviço eventual. "Meu marido ganhava mais de R$20 mil por mês, trabalhou em grandes filmes e campanhas publicitárias. Era altamente qualificado. Se vivo, em cinco anos teria recebido mais de R$2 milhões apenas com seu trabalho."
A viúva afirma que o estúdio não oferecia condições mínimas de segurança. "Ele não trabalhava para Pablo Marçal, mas a produtora alugou o espaço da empresa dele. O local estava irregular, com problemas estruturais e fiação exposta. A responsabilidade é do proprietário, que deveria garantir a segurança do ambiente antes de alugá-lo".
Emocionada, ela falou sobre os impactos da perda sobre os filhos. "O Artur (13 anos) adoeceu diversas vezes. A Sofia (16 anos) ficou meses sem conseguir comer direito. Quem cozinhava era o Celso. Eles emagreceram muito. Nada vai compensar essa perda. Só quero que isso nunca mais aconteça com nenhuma outra família."
"A perda do Celso nos causou perdas irreparáveis, nossos sonhos e projetos foram interrompidos, tínhamos uma viagem paga para o Egito para comemorar nosso aniversário de casamento.Viagem para Bariloche paga, que não tenho a menor vontade de fazer. A vida perdeu o sentido para mim. Se não fosse pelos meus filhos, nem sei o que seria da minha vida", finalizou. Celso deixou outros três filhos, Rafael, Carlos e Susan.
A morte de Celso resultou em uma condenação da empresa Marçal Participações Ltda. ao pagamento de R$ 2,4 milhões, decisão recentemente mantida pela Justiça do Trabalho de São Paulo.