Deolane Bezerra_Instagram oficial Deolane1
(Imagem: Instagram oficial Deolane Bezerra)
A advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra continuará presa após o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negar um novo pedido de habeas corpus apresentado por sua defesa na última quinta-feira (25). A decisão mantém a prisão preventiva da empresária, que está detida desde 21 de maio na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior paulista, enquanto responde a acusações de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Moradora de Alphaville, Deolane voltou ao centro das atenções após a nova derrota judicial. A defesa informou que recorrerá ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em busca da revogação da prisão preventiva.
Além do habeas corpus negado pela 16ª Câmara de Direito Criminal do TJSP, outro pedido ainda tramita na Justiça paulista. Neste caso, os advogados alegam violação das prerrogativas profissionais da influenciadora, que também exerce a advocacia, e solicitam sua transferência para uma sala de Estado-Maior, prerrogativa prevista em determinadas situações para advogados regularmente inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Defesa acumula derrotas nos tribunais
A negativa representa mais um revés na estratégia jurídica adotada pela defesa desde a prisão de Deolane. Antes disso, outros pedidos de liberdade também haviam sido rejeitados pela Justiça paulista. Um dos habeas corpus foi negado, enquanto outro acabou arquivado porque o magistrado responsável entendeu não ter competência para analisar o caso.
No mês da prisão, a defesa também tentou obter prisão domiciliar junto ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, o ministro Flávio Dino negou o pedido, afirmando que não identificava ilegalidade manifesta capaz de justificar uma intervenção excepcional da Corte para revogar a prisão preventiva.
Entenda a investigação
Deolane tornou-se ré em 18 de junho, após a Justiça de São Paulo aceitar denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). Ela responde pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa ao lado de outros investigados, entre eles Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado pelas autoridades como líder da facção criminosa PCC.
A aceitação da denúncia não representa condenação, mas significa que a Justiça entendeu haver indícios suficientes para dar início à ação penal.
Segundo a investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a estrutura empresarial atribuída à influenciadora teria sido utilizada para conferir aparência de legalidade a recursos de origem ilícita ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os investigadores afirmam que foram identificadas 35 empresas registradas em um mesmo endereço, consideradas de fachada, supostamente utilizadas para movimentar recursos financeiros.
A apuração também aponta movimentações bancárias consideradas incompatíveis com a renda declarada e depósitos encontrados em aparelhos celulares apreendidos durante a investigação, que teriam servido como um dos elementos para aprofundar as suspeitas sobre a participação da influenciadora no esquema.
De acordo com a Polícia Civil, os depósitos identificados não corresponderiam a honorários advocatícios, mas fariam parte de um contexto investigado como "fechamento de contas" da organização criminosa. Com base nesse conjunto de elementos, os investigadores sustentam que Deolane teria desempenhado papel relevante na movimentação financeira atribuída ao grupo criminoso. A defesa, por sua vez, nega as acusações e afirma que a cliente é vítima de ilegalidades e perseguição.
Próximo passo será no STJ
Após a nova decisão do Tribunal de Justiça paulista, os advogados anunciaram que irão recorrer ao Superior Tribunal de Justiça, buscando reverter a prisão preventiva enquanto o processo criminal segue em andamento.
Até que haja nova decisão judicial, Deolane permanecerá custodiada na unidade prisional de Tupi Paulista, enquanto a ação penal prossegue na Justiça de São Paulo.