Mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya
(Imagem: Wikiimages / Pixabay)
O Brasil tem 1.834 municípios em situação de alerta ou risco para a infestação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika. O número representa 49,2% das 3.732 cidades avaliadas pelo Ministério da Saúde no segundo ciclo do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre maio e agosto de 2026. Os resultados foram divulgados em outubro e reforçam a preocupação das autoridades com a chegada do período mais quente e chuvoso do ano.
Apesar do cenário nacional, Barueri e Santana de Parnaíba registram queda expressiva nos casos de dengue. Segundo dados do InfoDengue, iniciativa desenvolvida por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Fundação Getulio Vargas (FGV), Barueri contabilizou 1.386 registros da doença em 2026, até a semana epidemiológica 40, contra 12.595 no mesmo período do ano passado, uma redução de 89%.
Em Santana de Parnaíba, a diminuição foi ainda maior: 92,3%. Os registros passaram de 4.570 em 2025 para 353 neste ano, considerando o mesmo intervalo.
As duas cidades aparecem com alerta verde no sistema InfoDengue, que indica baixa incidência de casos e condições climáticas menos favoráveis à transmissão da doença no período analisado. A classificação, entretanto, não equivale ao índice de infestação do mosquito utilizado pelo Ministério da Saúde.
Barueri e Santana de Parnaíba
Em Barueri, o InfoDengue aponta que o número de registros de dengue caiu de 12.595 para 1.386 entre os períodos comparados de 2025 e 2026. Na semana epidemiológica 40, foram notificadas duas ocorrências, com estimativa de 13 casos após correção estatística para possíveis atrasos nas notificações.
A chikungunya também apresentou redução no município, passando de 18 registros em 2025 para três neste ano, uma queda de 83,3%. Não foram registrados casos de zika nos períodos analisados.
Santana de Parnaíba apresentou comportamento semelhante. Além da queda de 92,3% nos registros de dengue, as ocorrências de chikungunya passaram de seis para uma, redução de 83,3%. Assim como em Barueri, não houve registros de zika no intervalo acompanhado.
Na semana epidemiológica 40, Santana de Parnaíba contabilizou duas notificações de dengue, com estimativa de quatro casos após o ajuste estatístico utilizado pelo sistema.
Os números do InfoDengue representam registros de casos acompanhados pelo sistema de vigilância e não devem ser interpretados automaticamente como diagnósticos laboratorialmente confirmados.
Apesar dos indicadores favoráveis, a chegada do verão exige atenção. O aumento das temperaturas e a ocorrência de chuvas podem criar condições para a reprodução do mosquito, mesmo em municípios que apresentam baixa transmissão da doença.
|
Indicador |
Barueri |
Santana de Parnaíba |
|
Dengue em 2025 |
12.595 |
4.570 |
|
Dengue em 2026 |
1.386 |
353 |
|
Redução |
89% |
92,3% |
|
Chikungunya em 2026 |
3 |
1 |
|
Zika em 2026 |
0 |
0 |
|
Alerta InfoDengue |
Verde |
Verde |
Fonte: InfoDengue, dados acumulados até a semana epidemiológica 40 de cada ano. Os registros podem sofrer revisões.
Mais de 300 cidades estão em situação de risco
Segundo a Nota Informativa nº 11/2026 do Ministério da Saúde, dos 3.732 municípios que enviaram informações sobre infestação do mosquito, 1.898 apresentaram índices considerados satisfatórios, equivalentes a 50,9% do total.
Outras 1.525 cidades, ou 40,9%, foram classificadas em situação de alerta, enquanto 309, correspondentes a 8,3%, apresentaram situação de risco.
O levantamento utiliza o Índice de Infestação Predial (IIP), que mede o percentual de imóveis pesquisados nos quais foram encontradas larvas do mosquito.
Pelos critérios adotados, índices inferiores a 1% são considerados satisfatórios. Entre 1% e 3,9%, o município é classificado em alerta. A partir de 4%, a situação é considerada de risco.
Na Região Sudeste, que inclui o Estado de São Paulo, 1.564 municípios participaram do levantamento. Desse total, 53,8% apresentaram situação satisfatória, 40% ficaram em alerta e 6,2% foram classificados em risco.
O levantamento abrangeu 67% dos municípios brasileiros. Portanto, os percentuais nacionais representam apenas as cidades que encaminharam dados ao Ministério da Saúde, e não a totalidade dos municípios do país.
Classificações utilizam critérios diferentes
Embora Barueri e Santana de Parnaíba estejam atualmente em alerta verde no InfoDengue, isso não significa que tenham sido classificadas como satisfatórias no levantamento federal de infestação.
O LIRAa mede a presença de larvas do Aedes aegypti nos imóveis pesquisados, enquanto o InfoDengue acompanha notificações, estimativas de incidência e condições ambientais associadas à transmissão.
Assim, um município pode apresentar poucos casos de dengue e, ao mesmo tempo, manter uma quantidade preocupante de criadouros.
A Nota Informativa nº 11/2026 apresenta a distribuição geográfica das cidades avaliadas, mas não disponibiliza, no documento, uma tabela nominal com os índices de cada município.
Criadouros estão principalmente dentro das residências
O levantamento do Ministério da Saúde mostra que boa parte dos criadouros do mosquito está em objetos comuns do cotidiano.
Vasos e pratos de plantas, garrafas e outros recipientes móveis representam 42,3% dos criadouros identificados. Em seguida aparecem reservatórios de água, como caixas-d'água e tonéis, com 26,1%, e pneus e resíduos sólidos, responsáveis por 23%.
Na Região Sudeste, os recipientes móveis concentram 46,7% dos criadouros encontrados, seguidos por pneus e resíduos, com 24%, e depósitos de armazenamento de água, com 18,8%.
O perfil varia conforme a região brasileira. No Nordeste, predominam recipientes utilizados para armazenar água, enquanto no Norte os principais focos estão associados a pneus e resíduos sólidos.
Essas informações ajudam as autoridades de saúde a planejar mutirões de limpeza, vistorias e ações de orientação à população.
Brasil registra redução de 70% nos casos de dengue
Apesar do elevado número de municípios em alerta ou risco de infestação, o Brasil apresentou forte redução nos casos prováveis de dengue em 2026.
De acordo com o Ministério da Saúde, até 26 de setembro foram contabilizados aproximadamente 470,5 mil casos prováveis, contra 1,5 milhão no mesmo período de 2025, queda próxima de 70%.
Também houve diminuição de 43% nos registros de chikungunya, que passaram de 118.885 para 67.902, e de 35% nos casos de zika, de 3.724 para 2.141.
O recuo nas infecções não elimina a preocupação das autoridades. A presença do mosquito e as condições climáticas favoráveis podem provocar novos aumentos na
Verão aumenta preocupação com a proliferação
Com a proximidade do verão e a possibilidade de mudanças climáticas associadas ao fenômeno El Niño, o Ministério da Saúde orienta Estados e municípios a intensificarem as ações de prevenção.
Temperaturas elevadas e chuvas podem favorecer o acúmulo de água e acelerar o desenvolvimento do mosquito, aumentando o risco de transmissão de dengue, chikungunya e zika.
O governo federal recomenda a utilização de diferentes estratégias de monitoramento e controle, incluindo armadilhas para coleta de ovos, conhecidas como ovitrampas, visitas domiciliares de agentes de combate às endemias e identificação de áreas com maior concentração de criadouros.
Segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 2 mil municípios já utilizam ovitrampas como ferramenta complementar de vigilância.
A orientação é que as ações preventivas sejam mantidas durante todo o ano, mesmo quando os registros de doenças estão em queda.
Como prevenir a dengue
A principal medida de prevenção continua sendo a eliminação de locais que possam acumular água.
O Ministério da Saúde recomenda manter caixas-d'água, tonéis e cisternas fechados, limpar calhas e ralos, evitar água acumulada em pratos de plantas, guardar garrafas e baldes virados para baixo e dar destinação adequada a pneus, latas, embalagens e entulhos.
A população também deve permitir o acesso de agentes de combate às endemias devidamente identificados e comunicar aos serviços municipais de saúde a existência de possíveis criadouros em imóveis ou terrenos.
Os principais sintomas da dengue incluem febre alta, dores musculares, dor de cabeça, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas na pele. Em caso de suspeita, a recomendação é procurar atendimento médico e evitar a automedicação.
Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura ou fraqueza acentuada podem indicar agravamento da doença e exigem avaliação médica imediata.