19/04/2017
POLÍTICA
Com impasse, pacientes sofrem com Hospital Municipal de Barueri
Prefeitura, Hygia e sindicatos ainda se reúnem para tentar acertar situação
Thieny Molthini
Na quarta (19) atendimentos pareciam normalizados. Foto: Tânio Marcos/Folha de Alphaville

Semanas de espera, acomodações sem limpeza,  atendimento precário e outros inúmeros transtornos envolvendo o Hospital Municipal de Barueri têm dificultado a cirurgia de uma moradora de Alphaville de 69 anos, que foi atropelada no ano passado e precisa de uma prótese no fêmur e nesta semana foi transferida para um hospital em Taboão da Serra, que, segundo sua filha, é “horrível”.

Tudo começou em outubro do ano passado, quando Valquiria Menotti Inhauser foi atropelada na alameda Mamoré e encaminhada para o Pronto Socorro Municipal de Barueri onde foi diagnosticada de maneira errada, apenas depois de 10 dias e muitas dores foram constatadas duas fraturas. Depois de 40 dias imobilizada novos exames foram feitos e foi dada alta à paciente. Mas no dia 2 de abril deste ano, após uma queda em casa e outra ida ao PS, foram diagnosticadas fraturas no joelho, tornozelo (as mesmas do atropelamento, segunda a filha da paciente) e mais uma fratura do fêmur. “Ela foi transferida para o HMB para cirurgia que seria no dia 6 de abril. Essa cirurgia foi cancelada. Marcaram novamente paro o dia 12 de abril e fizeram apenas a cirurgia do joelho, já a cirurgia do fêmur foi marcada para o dia 18 de abril”, conta Marjorie Fraga, que tem acompanhado a mãe durante todo o processo.

Mas se engana quem pensa que dona Valquíria foi, enfim, operada. Na terça-feira (18) ela foi transferida para um hospital em Taboão da Serra e sua cirurgia novamente remarcada, dessa vez para quinta-feira (20). Segundo Marjorie, a transferência aconteceu porque não havia prótese para o fêmur.

Esse é apenas um capítulo do drama envolvendo o HMB, a prefeitura, o Instituto Hygia e a futura gestão Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM).

Filha de moradora registrou descaso com a higiene no quarto onde a mãe foi internada. Foto: Arquivo pessoal

Impasse
O HMB passa por intervenção da prefeitura desde março do ano passado, quando foi publicado o decreto nº 8.314, que estabelecia a intervenção do poder Executivo de Barueri nos serviços de gerenciamento, operacionalização e execução de ações e serviços de saúde em regime de 24 horas/dia no HMB delegados ao Instituto Hygia.

No dia 3 de abril a prefeitura publicou uma edição extraordinária do Diário Oficial informando a substituição do interventor do local e a rescisão de contrato com o Hygia, que, segundo o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), não pagou as verbas rescisórias de dezenas de médicos que foram demitidos em 2015. Acontece que com a mudança de administração e preciso resolver a situação dos atuais funcionários, que são do Hygia. Em um pronunciamento, o prefeito Rubens Furlan (PSDB) que uma possível recolocação dos profissionais pela futura gestora só poderia ocorrer com o desligamento legal do vínculo junto ao Instituto Hygia. Mas a OS afirmou em nota ser contrária à demissão de funcionários do hospital e afirma que assim como ocorreu anteriormente, a nova gestora deveria  absorver o quadro funcional. O instituto pontuou ainda que não “poderia fazer o provisionamento de valores para uma demissão em massa, tendo em vista o elevado valor que seria necessário para este fim”.

Os impasses causaram manifestações, paralisações e uma reunião entre prefeitura de Barueri, Instituto Hygia e representantes do Sindicato Único dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Osasco e Região (Sueessor) no e Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em Osasco. Mas, segundo o sindicato, como não houve uma proposta por parte da prefeitura, a greve continuará e uma nova reunião será realizada na tarde desta quinta-feira (20). Na noite de quarta-feira (19) também seria realizada uma reunião do Simesp com os médicos de Barueri.
Ainda na tarde de quarta, a prefeitura enviou à reportagem um comunicado sobre o caso, reforçando que cabe ao Hygia a responsabilidade sobre os funcionários do espaço e afirmando que garantirá o atendimento à população.

“A prefeitura de Barueri, atenta às suas responsabilidades, vai garantir o pleno funcionamento do hospital, bem como o atendimento à população. E ainda, durante todo esse processo, continua buscando uma solução entre as partes envolvidas para que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados”, afirma a prefeitura em nota.

Quanto à greve, a prefeitura afirmou que está remanejando profissionais de outras unidades do município para garantir o funcionamento do hospital.