13/04/2017
POLÍTICA
Funcionários, Hygia e prefeitura negociam futuro dos trabalhadores do HMB
Sindicato se reuniu com prefeitura e ex-OS para negociar
Thieny Molthini
Hospital municipal segue funcionando normalmente, de acordo com a prefeitura de Barueri. Foto: Tânio Marcos/Folha de Alphaville

Continuam as negociações sobre o futuro dos médicos e funcionários do Hospital Municipal de Barueri. Na tarde dessa segunda (17) estava marcada uma reunião com a presença da prefeitura de Barueri, Instituto Hygia (que deixa a gestão do hospital) e representantes do Sindicato Único dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Osasco e Região (Sueessor), que representa os funcionários e promete mais manifestações caso a situação não seja esclarecida - na quinta-feira (13) véspera de feriado da Páscoa, funcionários interditaram a rodovia Castello Branco e também houve passeata nessa segunda por vias de Barueri.

De acordo com o dirigente do sindicato Donizete Aparecido Manoel, os funcionários se revezam para "garantir que as cotas estabelecidas para prestação de serviços essenciais sejam cumpridas". Segundo ele, trabalhadores e sindicato permanecem firmes em mobilização em frente ao Hospital Francisco Moran.

O sindicato informou que a nova Organização Social que administrará o Hospital não fará a sub-rogação dos contratos de trabalho dos atuais funcionários e que o prefeito teria sugerido "que os funcionários peçam demissão sem qualquer garantia de pagamento de suas verbas trabalhistas, para tentarem uma nova vaga através de processo seletivo com a nova administradora, também sem garantias de contratação", informou a entidade por meio de nota.

O Instituto Hygia, por sua vez, divulgou que é contra a demissão de mais de 1.300 funcionários do HMB e que não possui verba para arcar com as rescisões. 

Na próxima quarta-feira (19), à noite, o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) terá reunião com os médicos de Barueri. 

 


Entenda o caso
Na última semana foi feito o anúncio de mudanças na administração do hospital e a declaração do prefeito Rubens Furlan (PSDB) de que os funcionários deveriam se desligar da antiga Organização Social,para que pudessem ser contratados pela futura administração, a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM).

Com a repercussão do caso, o Hygia publicou um comunicado em seu site (https://goo.gl/akTdA3) para falar sobre o assunto. Em nota o instituto comenta a intervenção da prefeitura, que teve início em 7 de março de 2016 e questiona os valores de dívidas que foram expostas pela administração municipal desde então.

“Detalhe importante: durante a intervenção, a prefeitura passou R$ 19,8 milhões ao HMB para que as dívidas fossem reduzidas. Apesar disso, a dívida que era de R$ 30 milhões antes da intervenção passou supostamente para R$ 100 milhões. Em 13 meses de intervenção, a dívida, caso os dados estejam corretos, pode ter sofrido acréscimo de quase R$ 90 milhões. O HMB continua sob intervenção”, pontuou a OS no texto, onde ainda se coloca contrária à demissão de funcionários do hospital e afirma que assim como ocorreu anteriormente, a nova gestora (SPDM) deveria  absorver o quadro funcional. “Segundo orientação da própria prefeitura, o Hygia não poderia fazer o provisionamento de valores para uma demissão em massa, tendo em vista o elevado valor que seria necessário para este fim. Além disso, se a reserva fosse feita, o Tribunal de Contas poderia entender que o contrato estava superdimensionado, exigindo sua redução. Isso prejudicaria o trabalho do HMB, que já atuava com um orçamento bastante restrito.”

Com esses fatos, funcionários organizaram um ato na terça-feira (11) no próprio hospital. Procurada, a prefeitura afirmou que não houve qualquer demissão e que o atendimento da população está acontecendo normalmente. O Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) também foi consultado, mas até a tarde de quarta-feira (12) não havia passado informações atualizadas sobre a situação.

(Reportagem atualizada dia 17/4, às 19h20)