07/04/2017
POLÍTICA
Médicos do HMB devem se reunir após anúncio de possível desligamento
Categoria teme não receber verbas rescisórias
Thieny Molthini
Hospital está sob intervenção do município. Foto: Arquivo Folha de Alphaville

A situação continua com impasse no hospital de Barueri. E funcionários do hospital organizam um ato de protesto na manhã desta terça (11), às 7h.

Na sexta-feira (7), o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Eder Gatti, fez um vídeo orientando os médicos do Hospital Municipal de Barueri a se reunirem para resolver a situação da categoria no município. O motivo foi o pronunciamento feito pelo prefeito Rubens Furlan (PSDB) na tarde de quinta-feira (6) informando que os funcionários deveriam se desligar da antiga Organização Social, o Instituto Hygia, para que pudessem ser contratados pela futura administração, a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM).

De acordo com Eder, Furlan teria dito que nesse processo de transição para outra administração os funcionários seriam demitidos, inclusive os médicos, e que a prefeitura não iriar arcar com as verbas rescisórias, ficando, então, privados de diretos trabalhistas.

"Os médicos precisam se organizar, chamaremos uma assembleia, vamos dialogar com os médicos, traremos os nossos advogados", alertou Éder. "O que está acontecendo em Barueri, por que não sub-roga? Rubens Furlan, você é responsável pelo hospital, pela qualidade de assistência aos munícipes de Barueri. Interessa à prefeitura saber se o trabalhador que oferece saúde ao munícipe está trabalhando bem, recebendo adequadamente, com boas condições de trabalho e não dar esse tipo de notícia, que serão demitidos, não receberão nada e deverão procurar a justiça por conta", ressaltou.

Paralelamente, houve conversas de que as palavras do prefeito fizeram com que os funcionários se mobilizassem em manifestação no local. Procurada, a prefeitura afirmou que não houve qualquer desordem e não fez menção a demissões. "O princípio de tumulto entre os colaboradores se deu por conta do descontentamento com a informação de que uma possível recolocação pela futura gestora só pode ocorrer com o desligamento legal do vínculo profissional junto ao Instituto Hygia", afirmou a prefeitura em nota de esclarecimento, na qual ressaltava ainda que os vencimentos deste mês sob intervenção serão honrados pela prefeitura, assim como ocorreu no dia 6 de abril, em relação aos serviços prestados no mês de março.

Vale pontuar que mais cedo nessa quinta-feira, em uma coletiva de imprensa, Furlan chegou a comentar que estava difícil o contrato com a nova gestora, já que grande parte do rombo de cerca de R$ 90 milhões ocasionados pela gestão do Hygia é por questão trabalhista. Ninguém quer assumir essa dívida. Enquanto isso, há médicos que foram demitidos em 2015 que até hoje esperam por seus direitos trabalhistas.

(Matéria atualizada no dia 10/4, às 19h30)