06/04/2017
POLÍTICA
HMB tem nova gestão e interventor
Furlan anuncia mudanças na administração do Hospital Municipal de Barueri
Thieny Molthini
Rubens Furlan acredita que em 10 dias (final de abril) Hospital Municipal de Barueri estará em 'águas calmas'

Depois de aproximadamente um ano de intervenção e algumas polêmicas, a prefeitura de Barueri, hoje sob nova gestão, determinou mudanças na administração do Hospital Municipal Dr Francisco Moran. O espaço contará com nova gestão e, até lá, um novo interventor, que acompanhará o cumprimento das metas estabelecidas pelo atual contrato, isso, segundo informações da prefeitura, “para que a população continue contando com atendimento durante o período de transição com prazo previsto de até 30 dias”.

O hospital passa por análise da prefeitura desde março do ano passado, quando foi publicado o decreto nº 8.314, que estabelecia a intervenção do poder Executivo de Barueri nos serviços de gerenciamento, operacionalização e execução de ações e serviços de saúde em regime de 24 horas/dia no HMB delegados ao Instituto Hygia.

Na última segunda-feira (3) a prefeitura publicou uma edição extraordinária do Diário Oficial publicando a substituição do interventor do local e a rescisão de contrato com o Instituto Hygia Saúde e Desenvolvimento Social.

A partir do decreto Nº 8.529, a servidora Ana Regina De Lisboa – segundo a administração, atuante na área da saúde há mais de 20 anos – passou a substituir Fernando Antonio Tambelini Juliani. Na terça-feira (4), em reunião no auditório da instituição, Rubens Furlan (PSDB) oficializou a nomeação. “Nós nos deparamos com uma situação financeira muito complicada. Vamos levantar todas as informações e colocar tudo dentro da normalidade. O objetivo é recuperar o hospital e a saúde em nossa cidade”, pontuou o prefeito.

Na ocasião, Furlan afirmou ainda que as contas e dívidas do hospital também estão sendo avaliadas para que possam sem quitadas. “Vamos descobrir a real situação financeira e administrativa do Hospital e fazer tudo dentro da lei, para que nossa gente tenha a melhor rede de saúde”, ressaltou durante a reunião.

Polêmicas
Em fevereiro de 2016, um impasse entre o Hygia e a empresa SPX Serviços de Imagem afetou diretamente os munícipes, que enfrentaram dificuldades para realizar exames de tomografias. À Folha de Alphaville a empresa afirmou que o instituto não havia efetuado o pagamento de quatro meses de serviços prestados, resultando em uma dívida aproximada de R$ 1 milhão, o que fez com que a empresa paralisasse seus serviços.

Já em maio de 2016, o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) disse à reportagem que médicos cirurgiões do HMB chegaram a interromper completamente as suas atividades por falta de pagamento. Segundo o Simesp, esses médicos eram terceirizados e alguns estariam sem pagamento desde novembro de 2015. À época, o sindicato afirmou ainda que outros 54 médicos do hospital, demitidos entre junho e julho de 2015, não tinham recebido o pagamento das verbas rescisórias.

“Os médicos que foram demitidos ainda estão sem receber os seus direitos trabalhistas e o Simesp recebeu denúncias de médicos que tiveram atrasos em seus salários no ano passado”, afirmou o presidente do sindicato, Eder Gatti.

Durante uma entrevista na quinta-feira (6), Furlan afirmou que grande parte do rombo de cerca de R$ 90 milhões é por questão trabalhista. A princípio, quem deverá arcar com isso será o próprio Hygia. “Foi uma gestão desastrosa, eles estavam devendo mais de R$ 5 milhões em água e luz”, diz o prefeito de Barueri.

Destrato
Oficialmente o contrato com o Hygia foi reincidido pelo decreto nº 8.530. Nele é apontado que segundo a conclusão que chegou a intervenção no relatório do Procedimento Administrativo HMB nº 1/2016, houve “efetivo descumprimento do Contrato de Gestão nº 482/2014”. Segundo o documento, foram “apontadas pela intervenção a ocorrência, por parte da Organização Social então gestora do Hospital Municipal, “da aplicação de recursos com despesas consideradas impróprias e injustificadas”, caracterizando quebra de cláusula contratual”.

Agora quem deverá assumir a administração é a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), que atualmente é responsável pela manutenção do hospital universitário da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).