07/04/2017
ESPORTES
FIA discute regras para definir F-1  de... 2021
Presidente da FIA quer evitar F-1 com tecnologia demais
JEAN TODt. Presidente da FIA quer evitar F-1 com tecnologia demais

Por Wagner Gonzalez

A  happy hour foi das mais alegres para quem sente falta da F-1 mais barulhenta, com mais construtores e carros menos tecnológicos. A julgar pelas declarações de Jean Todt ao final do encontro na sede da Federação Internacional do Automóvel (FIA), dia 31, em Paris, esses três parâmetros deverão ditar as bases dos motores que equiparão os carros de… 2021.

Além das marcas já envolvidas como construtoras ou fornecedoras de unidades de potência (Ferrari, Honda, Mercedes e Renault) representantes da Alfa Romeo (Harald Wester), do grupo Volkswagen (Stefano Domenicali), o engenheiro Mario Illien (atualmente prestando consultoria à McLaren) e Wolfgang Hatz (ex-chefe de pesquisa e desenvolvimento da Porsche) foram vistos em Paris, além de supostos enviados não identificados da Cosworth e de outra fabricante japonesa. Se isso não configura interesse direto na categoria, demonstra necessidade de estar a par das tendências da F-1.

Todt lembrou dificuldades: “É um ponto muito delicado. Por um lado a mobilidade está evoluindo e seria difícil admitir que a categoria mais importante do automobilismo não acompanha essa evolução. Não estou pensando em ter uma F-1 com carros autônomos ou conectados, mas é isso que o mundo está vendo hoje e para onde a indústria está olhando. Carros tecnológicos demais é algo que não necessário ao esporte.”
Todt ponderou ainda que os carros estão cada vez mais sofisticados. O francês, que iniciou no esporte como copiloto de rali e liderou operações esportivas da Peugeot e Ferrari antes de assumir a carreira política, também colocou em cheque processos de desenvolvimento de produto “caros e complicados” e novas formas de energia, onde carros elétricos serão mantidos em uma categoria própria e usados em competições no centro de grandes cidades, segundo ele o “cenário ideal para essa solução”.

O francês enxerga um grande futuro para automóveis elétricos dotados de células, ou pilhas, a combustível, fonte de energia que poderá ser adotada em alguma categoria no futuro. No que diz respeito à F-1, porém, ele afirma que “vamos continuar com motores mais convencionais, o que não quer dizer voltar a usar soluções empregados dez anos atrás”. Diante disso, o grupo de estudos que discute o regulamento de 2021 volta a se reunir em dois meses para falar de carros híbridos, motores mais barulhentos e soluções mais econômicas e que facilitem manter a F-1 existindo em um cenário de maior equilíbrio técnico e, sim, permitir que os pilotos sejam mais pilotos.