23/03/2017
ESPORTES
Sob nova direção, Fórmula 1 começa neste fim de semana
rty Media pode trazer novas emoções à categori
Liberty Media pode trazer novas emoções à categori, que tem GP de Melbourne neste domingo. Foto: Daimler AG/Divulgação

Por Wagner Gonzalez

Categoria mais importante do automobilismo internacional, a F-1 inicia sua temporada 2017 neste fim de semana (24 a 26), quando será disputado o GP da Austrália, em Melbourne. Após mais de 4 décadas sob comando de Bernie Ecclestone, o grupo norte-americano Liberty Media adquiriu o controle da modalidade, agora explorada sob guarda-chuva de empresas liderado pela Formula One Administration. O calendário deste ano terá 20 etapas, incluindo o Brasil, e a cada um deles será possível notar consequências práticas dessa mudança operacional e o melhor desempenho dos carros agora equipados com asas e pneus maiores.

Após o grupo Liberty Media investir mais de US$ 8 bilhões para adquirir o controle da F-1 as mudanças para dissociar os novos tempos da era Bernie Ecclestone começaram a acontecer em ritmo acelerado. O próprio Bernie foi substituído por três executivos (Chase Carey, presidente, e Ross Brawn e Sean Bratches, diretores-gerentes para as áreas esportiva e comercial, respectivamente) e ganhou título de presidente emérito, nome pomposo para um cargo que não tem nenhum poder executivo ou político.

A poucos dias do início da temporada as diferenças entre Carey e Ecclestone ganham status de batalha-quase-guerra. O norte-americano já não esconde que não havia lugar para o ex-mandatário e o inglês replica alfinetando que a categoria deixou de ser restaurante com três estrelas do guia Michelin para se tornar hamburgueria.

Aparentando indiferença ao novo cenário, equipes, patrocinadores e promotores celebram de forma comedida: Ecclestone construiu um dos negócios mais lucrativos do esporte com mão de ferro e conceitos elitistas, combinação que não agrada às grandes corporações em época de globalização.

Equipes, em particular 5 menores, enxergam possibilidade de equilibrar distribuição de lucros e, consequentemente, construir carros mais competitivos; patrocinadores pensam novas formas de explorar o investimento nas escuderias e circuitos e promotores são os mais animados. A forma de Bernie obter lucros cada vez maiores e, à vezes, inacreditáveis parece estar com dias contados.

Tudo indica que promotores e proprietários de circuitos terão vida mais fácil para equilibrar orçamentos. Ross Brawn, um dos mais bem sucedidos  projetistas e que assumiu o cargo de diretor-gerente da área esportiva, acena com inclusão de corrida anual extracampeonato: “Seria uma forma de avaliar novas propostas sem por em risco o andamento de uma etapa do campeonato. No lado técnico gastam-se milhões de dólares em sistemas como a suspensão e ninguém sabe exatamente o que está acontecendo. Isso me faz perguntar se faz sentido gastar tanto em algo que não agrega valor ao esporte.”