17/03/2017
ESPORTES
Ferrari ‘al dente’: pneu muda cenário
Escuderia italiana vai melhor com os compostos supermacios, mas os pneus ultramacios ainda são um mistério
R?ikk?nen foi o mais veloz com pneus supermacios; ao lado, pneus e cores de sua composição. Foto: Fotos: Zak Mauger/LAT Images

Por Wagner Gonzalez

Tal qual a vera pasta italiana, que deve ser degustada naquele ponto onde a massa ainda tem um quê de dureza, no treino de Barcelona a Ferrari foi mais veloz com opção mais dura de compostos de pneus. Ao final das duas semanas de treinos de pré-temporada em Barcelona, Kimi Räikkönen foi o mais veloz com pneus supermacios, mais duros que os ultramacios usados por Sebastian Vettel, o segundo piloto mais rápido ao final de oito dias. Sem ligar muito para esse ponto, as Ferraris foram mais eficientes que os Mercedes de Valtteri Bottas e Lewis Hamilton.

Muita coisa pode mudar nas duas semanas que ainda faltam para começar o campeonato, dia 26, em Melbourne, na Austrália, mas é muito difícil que essas duas equipes deixem de lutar pelas primeiras posições do grid e pelos três lugares do pódio.

Fotos: Zak Mauger/LAT Images

Mais do que mostrar as forças da temporada, algo ainda em processo de definição, os testes no Circuito da Catalunha indicaram algumas questões técnicas que deverão marcar, pelo menos, a primeira metade da temporada. O primeiro ponto é o rendimento mostrado pelos pneus ultramacios e supermacios, as duas opções de compostos mais aderentes para esta temporada. Era esperado que os primeiros fossem significativamente mais rápidos que os últimos, mas tanto Ferrari (com Kimi Räikkönen, 1’18”634), quanto Mercedes (Valtteri Bottas, 1’19”310) conseguiram tais resultados com a segunda opção, identificada com a banda lateral marcada por inscrições pintadas em vermelho.

Os pneus identificados pela cor roxa têm a banda de rodagem revestida com a composição supostamente mais aderente, porém Sebastian Vettel (1’19”024) e Lewis Hamilton (1’19”32) foram mais lentos que seus companheiros andando com pneus mais duros. Há quem diga que Vettel, ao fazer sua volta mais rápida, teria aliviado o pé do acelerador propositadamente quando completava a última curva do circuito. Será que Hamilton não teria feito o mesmo? Os dois têm horas de voo suficientes para usarem e abusarem dessas artimanhas.

Grande novidade da temporada 2017, junto com as asas que também ganharam dimensões maiores, os pneus Pirelli deste ano, estão mais largos, proporcionarão maior aderência e portanto, terão influência direta no consumo de combustível. Engenheiros admitiram que em circuitos como Melbourne e Bahrein poderão ter casos de pane seca.

Independentemente da escolha da maciez ou rigidez dos pneus, não há nada mais duro do que o problema que afeta a McLaren: um dos fatos mais importantes dos últimos dias foi o desligamento do francês Gilles Simon, engenheiro que atuava como consultor dos japoneses desde 2013, em protesto pelo fato de suas ideias terem sido ignoradas pela fábrica, algo que não foi confirmado pelo porta-voz da Honda.

Por enquanto há indícios fortes que Massa poderá fazer sua melhor temporada na Williams: no quinto dia de treinos ele foi o mais rápido na pista e dois dias depois dedicou boa parte do treino a andar com pneus médios (os brancos), opção mais dura e consequentemente a mais lenta: sua melhor marca nessa configuração foi em 1’24”443.

A Williams foi a equipe que mais trabalhou com esse tipo de pneu na segunda semana, opção que não será usada na Austrália (roxo, vermelho e amarelo, ou ultramacio, supermacio e macio, na ordem) mas será entregue na China (vermelho, amarelo e o médio branco).