20/11/2017
ECONOMIA
Cérebro é emoção
Como a constatação explica o atual colapso do ambiente corporativo 
Neurocientista Carla Tieppo abordou comportamento e produtividade. Foto: Divulgação

“A lista de ‘tem quês’ está posta há muito tempo. Tem que ser resiliente, tem que ter empatia, tem que ser engajado. A questão é como fazer as pessoas cumprirem essa lista.”  Com a reflexão, a neurocientista Carla Tieppo abriu a última edição de 2017 do +Café+Gestão, evento organizado pela ABRH-SP Metropolitana Oeste, em Alphaville.

Para ela, aí está o grande desafio para a área de Recursos Humanos.  O caminho, segundo a pesquisadora, é as empresas saberem mais sobre como funciona a mente dos profissionais. O comportamento adquirido ao longo de experiências fica registrado no cérebro de cada um e é ativado de forma diferente a cada atividade executada ou a cada ação a que somos expostos. “Precisamos olhar a gênese do comportamento e tentar entender por que a pessoa se comporta daquela forma diante daquela situação”, diz. 

Segundo Carla, entender o cérebro também ajuda a entender as emoções – que, aliás, deveriam aparecer com mais frequência na pauta do RH. “Enquanto ainda considerarmos que a razão está entre nossos diferenciais, estaremos cada vez mais atrasados.” 

Para entender as emoções e comportamentos, é fundamental a presença de líderes dedicados e participativos. Para a neurocientista, os gestores precisam estar presentes, não apenas fisicamente, mas percebendo tudo e todos a seu redor. Cabe ao líder conhecer bem cada parte de seu time e suas motivações. Intenção genuína 

A neurocientista afirma que o ser humano só faz extremamente bem aquilo que realmente quer, o que ela chama de “intenção genuína”. No entanto, o mundo em que vivemos, sobretudo o universo corporativo, provoca-nos a fazer o contrário. “Veja a criança. Ela quer ajudar, encontrar solução para tudo. Mas aos poucos aprende a não fazer o que quer para fazer apenas o que racionalmente parece ser o melhor”, explica.

 A partir daí, mina-se o que cada um tem de melhor a dar e o resultado é perigoso. “O ambiente que nós construímos para as empresas é doente e muda nosso cérebro. O problema de depressão não é só genético. Tem a ver com o ambiente.” 

Como retomar o autêntico interesse e, assim, a motivação, a satisfação, o engajamento, a saúde e, claro, os resultados? A resposta está no relacionamento com o outro. A base do comportamento de qualquer indivíduo é a socialização, o senso de pertencimento e a ressonância que precisa ter no ambiente de trabalho.

Material produzido pela ABRH-SP Metropolitana Oeste