02/10/2017
ECONOMIA
Lições do Vale do Silício
Encarar projetos sem apego, aprender continuamente e não ter medo de errar
Laura Widal, consultora e ex-executiva, durante palestra para o Grupo de Profissionais de RH da Regional Metropolitana Oeste, realizada no final de setembro, em Alphaville. Foto: Divulgação

Em 2007, a Nokia saiu na capa da revista Forbes com a seguinte manchete: “Um bilhão de clientes. Alguém consegue alcançar o rei do celular?” Viaje rápido no tempo e volte para 2017. Quando foi a última vez em que você comprou ou pensou em comprar um celular da Nokia?

Pois é. Os negócios mudaram rápido nos últimos dez anos e vão mudar em uma velocidade ainda maior nos próximos dez. Como os profissionais e áreas de RH estão pensando e antecipando essas transformações? Foi essa a provocação feita por Laura Widal, consultora e ex-executiva, durante palestra para o Grupo de Profissionais de RH da Regional Metropolitana Oeste, realizada no final de setembro, em Alphaville.

Laura visitou recentemente o Vale do Silício, nos Estados Unidos, onde nascem alguns dos negócios mais inovadores do mundo. Para se ter uma ideia: juntando só as empresas criadas por ex-alunos de Stanford, uma das principais universidades da região, seria possível criar o equivalente à 10ª maior economia mundial. Da viagem, Laura trouxe algumas lições.

Problemas x ideias
A primeira delas tem a ver com a diferença entre resolver problemas e se apaixonar por ideias ou projetos. “Tratamos nossos projetos como filhos. O problema é que ninguém mata os próprios filhos”, brincou Laura. O foco das empresas deve ser resolver a demanda de seus clientes, seja o cliente externo ou o interno – um público relevante no caso dos RHs. Não é produtivo insistir em ideias se elas não criam os efeitos esperados. É preciso abraçar um novo projeto e manter o foco na busca da solução.

A ampliação de competências também é fundamental. Em São Francisco, Laura conheceu a brasileira Carolina Oliveira, fundadora da Oneskin, empresa que reproduz a pele humana em laboratório. Carolina era acadêmica e não foi preparada para lidar com investidores. Teve que aprender em programas de aceleração. Assim como ela, todo mundo terá que buscar as competências que garantirão o preparo para novos desafios.

Compartilhamento e erros
A economia compartilhada veio para ficar. Empresas como Uber e Airbnb partem do princípio de que as pessoas são boas e querem se conectar. Isso levou Laura a uma reflexão sobre os RHs: o quanto essas áreas, que sofrem tantas críticas, estão pensando em conexão entre pessoas? O quanto estão promovendo o compartilhamento?

A inspiração é para que se compartilhe, inclusive, o erro. No Vale do Silício, os empreendedores defendem que o esforço não deve ser para evitar o erro. Deve ser, sim, para errar rápido e errar barato. Faça projetos pequenos, teste e depois amplie.

Tecnologia em tudo
Segundo Laura, em cinco anos não usaremos mais o termo “tech” porque todas as empresas terão a tecnologia como sua plataforma de negócios. No Vale, ela conheceu a Olivia, uma assistente financeira virtual que avisa quando seu “dono” está fazendo uma compra por impulso. Ou o Ross, advogado virtual da IBM que substitui advogados de primeiro nível.

Esse fato leva a duas consequências. A primeira é que todos os negócios precisarão se reinventar para incorporar tecnologia. A segunda é que haverá uma mudança relevante nos empregos. É possível que em algumas décadas tenhamos tecnologia suficiente para substituir várias funções executadas por humanos hoje nas empresas. Se formos superados em QI e conhecimento, nos restarão as emoções. Como, então, o RH pode contribuir para aflorar o lado da emoção e da autoconsciência nas pessoas? Para Laura, é hora de começar essa conversa e antecipar desde já um futuro que está cada vez mais próximo – e que exigirá novas competências.


Material produzido pela ABRH-SP Metropolitana Oeste