21/09/2017
ECONOMIA
Empresária de Alpha está de olho no exigente consumidor 3.0
Em tempos de revolução tecnológica, conquistar o cliente tem sido uma tarefa cada vez mais desafiadora para as empresas
João Felipe Cândido
Karine Fares, da Boutique de Luxo: "Temos adotado novas estratégias para fidelizar nossos clientes" (Foto: Victor Silva/Folha de Alphaville)

Com o agravamento da crise econômica, em 2016, o comércio varejista brasileiro registrou o pior ano da sua história. Além do aumento no desemprego e, consequentemente, a queda no consumo, mais de 108 mil lojas formais encerraram as atividades no país.

Quem tem acompanhado de perto esses e outros desafios são as empresárias Karine Fares, 29, e Raquel Fares, 28. Há quatro anos, quando decidiram investir numa loja de produtos refinados, a Boutique de Luxo, localizada em Alphaville, as sócias não imaginavam que o mercado seria invadido por uma nova geração de clientes: o consumidor 3.0.

Segundo o Sebrae, o consumidor 3.0 surgiu com a evolução da tecnologia. É aquele cliente que realiza compras pela web e faz pesquisas em diversos sites antes de efetuar a transação, além disso utiliza ambiente multicanal para se informar sobre o produto e as condições de pagamento.


Peças elegantes e acessíveis

Novos hábitos
Foi-se o tempo em que o modelo de sucesso de uma loja era representado apenas por uma ‘vitrine bonita’ à espera do cliente. “Hoje, os consumidores estão mais conscientes, buscam saber informações detalhadas sobre o que irão adquirir, comparam preços, comentam em sites e compartilham tudo nas redes sociais. Ou seja, estão ainda mais exigentes”, afirma Karine.

Para não perder essa crescente fatia de mercado, as sócias da Boutique de Luxo resolveram tornar a marca um multicanal. Atualmente, o cliente pode comprar produtos na loja física ou fazer os seus pedidos por meio do e-commerce, inclusive nos sites das Casas Bahia, Walmart e Extra. O WhastApp e as malinhas delivery também se tornaram uma poderosa ferramenta. “Com base nas preferências de nossas clientes, juntamos as peças que estão dentro de seu perfil. Deixamos a malinha em sua residência com o propósito de oferecer a experiência de comodidade e conforto”, destaca Karine.

Luxo acessível
Os produtos de decoração para casa, que variam de R$ 12 (preço de um porta-retrato) a R$ 1.999 (jogo de jantar) sempre foram o carro-chefe da marca Boutique de Luxo, formada pelo público A e B. Com o agravamento da crise econômica, as vendas tiveram ligeira queda nos últimos meses. Para manter o ritmo das receitas, as sócias incluíram peças de roupas à marca. “Entre uma peça de vestuário ou de decoração, acreditamos que a mulher brasileira sempre vai deixar o objeto de decoração em segundo plano”, dizem. Deu certo. A dupla ficou tão contente com os resultados, que já planeja fabricar as próprias peças de roupas.

O e-commerce da marca, que parcela tudo em até dez vezes sem juros, já representa 40% do total das vendas, que são entregues em todas as regiões do Brasil. No caso dos produtos para decoração, o ticket médio fica na casa dos R$ 250. Já as roupas, compostas por peças produzidas com matéria-prima sofisticada podem variar entre R$ 200 a R$ 600.

Quando o assunto é o faturamento elas despistam, mesmo assim, se dizem otimistas com o atual momento do Brasil. “O começo deste ano foi bastante desanimador, porém, o início do segundo semestre tem sido positivo”, revelam.

Design: Clássicos a modernos



O carro-chefe são os produtos que compõem a mesa posta