18/08/2017
ECONOMIA
Novas regras para carros blindados
A Portaria nº 55, do Exército Brasileiro, apresenta mudanças que irão impactar compra, venda e manutenção de veículos
João Felipe Cândido
Luiz Carlos Monacci, da Newtech, blindadora de Alphaville que já atende as novas normas do Exército Brasileiro (Foto: Victor Silva/Folha de Alphaville)

Começou a vigorar no último dia 11 de agosto a Portaria nº 55 do Exército, que determina uma série de mudanças nas regras para a blindagem de veículos no Brasil. Entre as principais alterações, destacam-se a proibição na recuperação de vidros delaminados, a necessidade de Certificação de Registro (CR) junto ao órgão, pelo proprietário do automóvel, bem como alterações na blindagem de veículos que possuem teto solar.

Brasil no topo
Atualmente, de acordo com a Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), o Brasil é líder mundial na frota de blindados – cerca de 200 mil carros. Somente em 2016, 18.865 veículos passaram pelo processo de blindagem. Para ter uma dimensão do quanto o setor evoluiu nas últimas duas décadas, em 1995, foram apenas 388 carros blindados. Já em 2005, o número saltou para 3.206 unidades.

Dados do Exército Brasileiro de 2016, apontam que os estados de São Paulo (64,12%), Rio de janeiro (15,46%) e Ceará (6,75%), representam quase 90% do total da frota de veículos blindados no país. Para o empresário e proprietário da Newtech, Luiz Carlos Monacci, 57, uma das maiores blindadoras de Alphaville, o fato de o Brasil estar no topo do ranking mundial de veículos blindados não pode ser interpretado de maneira positiva.

“Sem dúvida a violência é o fator preponderante para um proprietário de um carro optar procurar pela proteção balística. No passado, blindar um veículo poderia até ser considerado um artigo de luxo. Hoje é vital, rápido e acessível”, pondera.

O que muda
A portaria nº 55 também faz novas exigências quanto à blindagem dos veículos, sendo que o teto solar não poderá ser mais móvel. O Exército determinou que no lugar do vidro móvel seja instalado um fixo, sem possibilidade de abertura com o mesmo nível de proteção dos demais.

Com a nova regra, referente à manutenção de veículos blindados, não será permitido fazer a reautoclavagem (recuperação de vidros com bolhas) e nem recuperação dos vidros delaminados (quando as lâminas do vidro começam a se descolar). Nestes casos, será obrigatório a substituição de vidro. Todas as peças danificadas deverão ser incineradas e não poderão ser reutilizadas - mesmo se existir a possibilidade de conserto.

O Termo de Responsabilidade emitido pela blindadora, passa a ter exigência de firma reconhecida, com todas as informações e descrições de lotes de produtos, controlados pelo Exército, utilizados no processo de proteção balística do veículo, como manta e vidro, no qual oferecerá mais segurança aos usuários.

“A partir de agora, a empresa de blindagem terá mais controle nos produtos usado nos carros e o Exército acaba estabelecendo um controle mais restrito sobre os proprietários dos veículos blindados, a fim de proibir o uso na prática de crimes”, destaca o executivo da Newtech.

Por outro lado, as novas regras trarão aumento de custos nas aquisições e manutenções dos veículos blindados. O custo com a documentação de regularização do veículo também aumentará, somente na nova aquisição de Certificado de Registro de pessoa jurídica ou física, nos veículos a serem registrados do novo usuário, além do prazo de liberação do registro. Mesmo assim, as empresas dizem que o prazo não será extenso, pois existe limite para realizar serviço de blindagem.

São mantidos os atuais níveis de proteção permitidos aos veículos, com o padrão nível III-A, sendo o máximo permitido para uso civil, usado por mais de 90% das blindadoras, capaz de suportar tiros até armas Magnum calibre 44. Com essas novas regras, se torna mais seguro para as empresas que blindam e fazem serviço de manutenção em veículos blindados, terem os registros em ordem para a segurança do usuário.