28/07/2017
ECONOMIA
Diferença de preço da gasolina beira 50% 
Para economista, postos praticam preço que demanda aceita pagar
Haydée Eloise Ribeiro Maciel
Os valores do litro dos combustíveis variam bastante na região, principalmente os da gasolina. Fotos: Victor Silva/Folha de Alphaville

D esde a semana passada o brasileiro tem acompanhado nos noticiários e visto nos postos de gasolina o reajuste nos preços dos combustíveis, inclusive na região.

A Folha de Alphaville pesquisou alguns preços em postos locais. A variação é de R$ 3,19 a R$ 4,69 no litro da gasolina comum (47%); e de R$ 2,19 a
R$ 2,59 (18%). Ou seja, na gasolina, os preços variam bastante, para cima ou para baixo.

Segundo Agostinho Celso Pascalicchio, professor de economia da Universidade Mackenzie, há falta de transparência na formação de preço de mercado. “Isso ocorre porque há ausência de concorrência no mercado. Os postos praticam o preço que demanda aceita pagar”, explica Pascalicchio.
Os motivos que levam o consumidor a pagar determinado valor são variados. “O motorista não tem outra alternativa, o posto seguinte fica longe, não atendem bem, ou possui poucos frentistas”, exemplifica.


Pascalicchio faz uma ressalva: “O valor de R$ 4,70 pode ser um problema para mim mas não para o vizinho, que possui elevada renda. Ou seja, isso não é entendido como desvantagem. Mas sim como uma situação de mercado, que não se ajeita de maneira homogênea.”

O que o consumidor pode fazer na oscilação de preços? “Ele deve pesquisar e encontrar melhores condições para o seu orçamento”, afirma ele.
Para alguns que trabalham fora da região, pode ser mais vantajoso pesquisar postos no caminho. Em Bethaville, por exemplo, é possível encontrar gasolina a R$ 3,30, valor próximo ao de postos em São Paulo e Osasco.

O economista destaca que o aumento das alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), por parte do governo federal, permitiu a oscilação de preço nos combustíveis. “Meirelles sinalizou a possibilidade de haver novos aumentos de impostos. E existe a possibilidade de mais aumento nos preços dos combustíveis. O etanol aumenta na mesma proporção da gasolina”, diz.

Alguns postos sem bandeira estão praticando preços mais baixos. “Isso é uma casualidade e uma oportunidade de marcado. O combustível pode ser de boa procedência. Depende da preferência do consumidor. Existe, hoje, essa oportunidade de mercado para esses postos se desenvolverem”, finaliza Pascalicchio.

A Justiça Federal no Distrito Federal suspendeu no dia 25 o reajuste de PIS e Cofins sobre gasolina, diesel e etanol. Porém, no dia seguinte (26), a Advocacia-Geral da União (AGU) informou que o aumento é constitucional.