02/10/2017
COLUNISTAS
Caos na arbitragem
Colunista da Folha de Alphaville

Um país onde os valores éticos, morais, os bons costumes, a honestidade, tudo isso está fora de moda, a arbitragem não foge à regra. Os últimos acontecimentos confirmam essa triste realidade. E o futebol, por consequência, quem ama e quem vive dele, é que sofrem.

No clássico de domingo, no Morumbi, tivemos critérios diferentes para os dois times. No mesmo dia, um pênalti inexistente deu a vitória ao Bahia contra o Grêmio. O árbitro desse jogo ganhou como prêmio apitar a final da Copa do Brasil. E no dia seguinte, em Recife, um pênalti para o Sport foi marcado e desmarcado com interferência externa, algo que a lei não permite.

Vamos analisar só esses dois últimos casos. Em Salvador um pênalti inexistente foi marcado e cobrado muitos minutos depois. Nesse espaço de tempo a TV só passou um replay e ninguém indicou ao árbitro que ele estava equivocado. No jogo de Recife, logo após a marcação da penalidade máxima, a mesma TV passou a exibir uma série de repetições. Os jogadores do Vasco criaram tumulto impedindo a cobrança. E surgiram as condições para que o juiz voltasse atrás na sua marcação.

Alguém dirá: mas se não foi pênalti, melhor que o árbitro tenha voltado atrás e reparado o erro. Nada disso. Esse é o pior dos argumentos. Afinal, a justiça é para todos ou não é justiça. Não se pode voltar uma marcação às vezes, só quando interessa. Foi o que aconteceu na Vila Belmiro, no jogo que classificou o Flamengo e eliminou o Santos da Copa do Brasil.

E não pensem que o árbitro de vídeo será a solução. Além dele ser incompatível com as idiossincrasias do futebol será aplicado e operado pelas mesmas pessoas que aí estão, o que não garante absolutamente nada. Sinceramente, eu não tenho nenhuma esperança de que as coisas possam melhorar enquanto as mesmas pessoas continuarem dirigindo confederação, federações e clubes.




Jornalista e administrador esportivo. Trabalhou nos principais veículos de comunicação do país, foi gerente de futebol do Grêmio Barueri e secretário de esporte da cidade. Atualmente é âncora e comentarista da Rádio Transamérica.