15/09/2017
COLUNISTAS
Uma bagunça chamada São Paulo
Colunista da Folha de Alphaville

m time gigante como o São Paulo não fica na situação que está à toa ou por uma simples razão. Há um conjunto de fatores determinando tudo o que vem ocorrendo. E, para desespero de quem ama essa camisa tão gloriosa, não estão surgindo sinais de que os ventos possam mudar.

Já disse aqui e repito: o presidente do São Paulo é fraco para a função. Quem comanda deve exalar autoridade. Autoridade e autoritarismo são coisas diferentes. Você pode ter comando sem ser autoritário. Mas o presidente do São Paulo decididamente não tem.

Gustavo Vieira de Oliveira vinha fazendo um excelente trabalho no comando do futebol. Um trabalho com começo, meio e fim, que sabia de onde partia e aonde queria chegar. E com poucos recursos financeiros. Bastou a ida de dois conselheiros à sala do presidente pedindo que ele fosse demitido e assim foi feito. Resultado: estabeleceu-se a bagunça.

Na sequência veio o advento Rogério Ceni. Muitos podem discutir se era a hora certa ou não, se ele estava preparado ou não para tamanho desafio. Mas o trabalho estava sendo feito. Bem ou mal, tinha um norte, tinha critérios. E não deveria ter sido interrompido. A troca por Dorival Júnior está se mostrando ineficiente.

Para completar, a diretoria abre o Centro de Treinamento, local sagrado de trabalho e concentração, para que torcedores pressionem jogadores e comissão técnica. É tudo o que não se precisa num momento como esse. Surpreendeu uma pessoa como Raí aceitar intermediar esse tipo de encontro.
O rebaixamento ainda não está consumado. Ao contrário: ainda há muita chance dele não acontecer. O São Paulo tem seis vitórias. Faltam mais seis, em 15 jogos. Com 12 vitórias um time escapa do descenso. Mas, do jeito que as coisas estão, fica difícil acreditar em perspectivas otimistas. Tem gente lá dentro de clube que parece estar se esforçando pelo pior. E o castigo, nesses casos, costuma chegar da forma mais cruel possível.




Jornalista e administrador esportivo. Trabalhou nos principais veículos de comunicação do país, foi gerente de futebol do Grêmio Barueri e secretário de esporte da cidade. Atualmente é âncora e comentarista da Rádio Transamérica.