01/08/2017
COLUNISTAS
Neymar vai ou fica?
Colunista da Folha de Alphaville

A pergunta que dá título à coluna está sacudindo o futebol europeu. Pode ser que, quando você estiver lendo estas mal traçadas linhas, tudo já esteja consumado. Mas a grande verdade é que o tal de Neymar pai deve estar levando dirigentes catalães e franceses à loucura.

Certa vez, quando Neymar começava a brilhar na carreira, ainda sendo aquele menino mirrado que tentava se firmar como titular do Santos, encontrei um executivo de uma grande montadora de automóveis. Nosso encontro foi num restaurante, onde eu almoçava com um amigo. Quando o tal executivo apareceu estava suado, mal arrumado, gravata torta. Perguntei o por que de tanto açodamento e ele respondeu: “Eu estava negociando com o pai do Neymar.”

Negociar com esse cidadão deve ser uma das experiências mais terríveis pelas quais um ser humano pode passar. Acerta-se um valor aqui. Dali a pouco não é mais isso. Tem que ter mais aquilo. O outro paga. Se você não pagar vou embora. E por aí vai. Nessa negociação ainda há um componente extra: a enrolada situação fiscal de Neymar e seu pai na Espanha. A todo instante Neymar pai joga na mesa que é perseguido pelo fisco espanhol e que, por isso, quer ir para a França.

É uma pena que, ao que tudo indica, o aspecto futebolístico é o que menos está importando. Fala-se em dinheiro, em fugir da concorrência de Méssi, em pagamento de impostos, em valores a serem recebidos. E de bola, nada.

Sou muito perguntado se ele deve ir ou ficar. É muito difícil opinar. Há prós e contras em qualquer decisão que venha a ser tomada. Se ele for ganhará muito dinheiro e desbravará um novo mercado. Se ficar permanece onde está jogando bem e onde gosta de morar. Mas será pressionado a cada lance mal feito ou a cada pênalti perdido.

É, portanto, uma decisão muito difícil. Mais ainda pela ganância de Neymar pai, que em nada ajuda que a escolha seja clara, limpa e transparente. E somente a ele interessa o prolongamento dessa novela. A cada capítulo são milhões a mais que entram. Fato é que, qualquer que seja a decisão, ficarão sequelas, muitas vezes, dificílimas de serem administradas.




Jornalista e administrador esportivo. Trabalhou nos principais veículos de comunicação do país, foi gerente de futebol do Grêmio Barueri e secretário de esporte da cidade. Atualmente é âncora e comentarista da Rádio Transamérica.