15/09/2017
COLUNISTAS
O peso do QI na recolocação profissional
Colunista da Folha de Alphaville

Já engordei estatísticas do desemprego há alguns anos. Eram tempos em que atuava como executivo, ocasião na qual conheci o trabalho das empresas de recolocação profissional. Foi quando aprendi a preencher adequadamente um currículo, além de ser orientado sobre como me portar em entrevistas. Porém, isso não foi suficiente. Início dos anos 90, os processos de recrutamento já estavam mudando. Um currículo bem elaborado e com conteúdo vistoso, não representava garantia de sucesso.

Pesquisada Catho com mais de 46 mil profissionais indicou que 60% dos cargos foram preenchidos com base no QI do candidato. Não estamos falando do “quociente de inteligência”, mas, sim, do “quem indicou”. Networking, relacionamento são as palavras de ordem. Esses fatos levam-nos a reflexões.

Sempre recebo mensagens de leitores insatisfeitos com a empresa em que trabalham. As queixas vão da falta de reconhecimento e ausência de desafios à baixa remuneração e inexistência de plano de carreira. Estes profissionais vislumbram como única solução pedir demissão e buscar novos horizontes, como se o ambiente fosse a origem de todos os males, acreditando que em outra corporação os mesmos dissabores não acontecerão.

Diante dos fatos, alguns cuidados devem ser tomados para que uma proposta pretensamente interessante não se apresente como uma armadilha:

1. Cheque a oportunidade. Verifique se é concreta e, mais ainda, permanente. Pode tratar-se de posição temporária e que não lhe garantirá estabilidade.

2. Pesquise a empresa. Obtenha informações sobre o perfil da companhia e sua posição relativa no mercado. Dê especial atenção aos valores declarados pela organização a fim de observar se estão alinhados aos seus princípios pessoais.

3. Dissocie relações afetivas e profissionais. Evite associar o nome da pessoa que recomendou você ou lhe sugeriu a vaga. Seja grato, mas seja independente.

4. Prefira o pouco certo ao muito duvidoso. A menos que você disponha de uma boa herança ou alguém que lhe sustente, abdicar de uma remuneração lhe trará mais preocupação, angústia e ansiedade. Peça demissão somente após ter firmado sua recolocação.

5. Busque o apoio de uma boa consultoria em recolocação. Uma companhia especializada em outplacement poderá orientar e instruir você durante este processo, fornecendo preparo instrumental e psicológico para uma adequada tomada de decisão.

6. Caia fora na hora certa. Se a proposta de trabalho não corresponder às promessas feitas ou não atender aos seus anseios, prepare sua saída o quanto antes evitando prolongar sua insatisfação.

7. Recorde-se sempre da importância do networking. Na Era da Integração, num mundo sem fronteiras e regido pela conectividade, não são dados ou informações, máquinas e tecnologia, que fazem a diferença. São pessoas. E mais do que isso, relacionamentos.

Por isso, cultive o hábito de conversar com estranhos, pessoas que lhe avizinham num saguão de aeroporto ou numa simples fila no cinema ou no banco. Frequente outros ambientes e converse com quem lhe rodeia. E lembre-se sempre de portar cartões de visita. Destas relações fortuitas, pode surgir um novo curso em sua vida.




Educador, palestrante em gestão de pessoas e negócios, escritor e autor de sete livros. É colunista da Folha da Alphaville desde 2005