08/09/2017
COLUNISTAS
Argentina perigando
Colunista da Folha de Alphaville

ão há como a bagunça administrativa de uma entidade não chegar ao campo de jogo. É exatamente o que vem acontecendo agora com a Argentina. Após o empate contra a Venezuela a problemática foi escancarada à opinião pública. E o risco de eliminação da Copa do Mundo é real.

Além da troca de treinadores a instabilidade administrativa da AFA, Associação de Futebol da Argentina, faz com que os jogadores se sintam inseguros, sem força para reagir diante de determinadas adversidades que o futebol impõe nos dias de hoje. E os resultados aí estão.

Para quem não sabe, desde a saída de Cristina Kirchner, o futebol argentino virou de ponta cabeça. Os ventos da economia liberal trazidos pelo novo presidente, Maurício Macri, fizeram com que as verbas estatais que eram canalizadas para o futebol minguassem. Os direitos de TV dos jogos do campeonato nacional eram bancados pelo Governo. Isso acabou. A AFA recebia subsídios do Poder Público. Também não recebe mais. Sem falar nos dirigentes constantemente acusados de corrupção, como também acontece por aqui.

Quem esperava que a simples chegada de um técnico consagrado, como Jorge Sampaoli, colocasse a casa em ordem ficou frustrado. Isso não aconteceu. O buraco é bem mais embaixo. Nem mesmo Messi, com toda a sua genialidade, está resolvendo. Por toda essa situação a Argentina corre, sim, o risco de não ir à Rússia. As duas últimas rodadas, portanto, reservam muitas emoções.




Jornalista e administrador esportivo. Trabalhou nos principais veículos de comunicação do país, foi gerente de futebol do Grêmio Barueri e secretário de esporte da cidade. Atualmente é âncora e comentarista da Rádio Transamérica.