26/06/2017
COLUNISTAS
Sociedade efêmera
Colunista da Folha de Alphaville

Meu desafio de hoje é demonstrar como as marcas estão se adaptando às mudanças de comportamento devido à geração milênio e numa sociedade com tanta efemeridade.  Quando falo sobre a Geração Milênio ou da Internet (nascidos entre 1980 e 1995) vejo Mark Zuckerberg do Facebook, ganhando o primeiro bilhão aos 23 anos de idade.  Essa geração teve uma convivência muito cedo com tecnologias e, por isso são tidos como sempre conectados, vidrados em mídias sociais e empreendedores.

Segundo Gustavo Pessoa, psicólogo, eles são refratários a regras hierárquicas, veem menos valor na rigidez de normas e procedimentos, pouco sentido na hierarquia inflexível e pensam mais em como alcançar seus sonhos de uma forma individual em vez de conquistá-los via empresa.
De acordo com Luiz Arruda, consultor, esta geração tem um desejo constante pela busca de novas experiências e são ávidos por mudança, movimento, liberdade, inovação e informalidade. Desejam isso na sua vida pessoal e profissional e buscam um propósito em tudo o que fazem principalmente no trabalho e no relacionamento com marcas e produtos. Além disso, são otimistas em relação ao futuro, têm grande capacidade de lidar com a diversidade e possuem consciência social e ambiental.

Nos Estados Unidos esta geração possui hoje o maior contingente da força de trabalho (37% do total), frente a 34% de baby boomers - nascidos até meados dos anos 60, que agora estão se aposentando. Agora que elucidamos um pouco esta geração, vamos entender o significado de efemeridade - termo de origem grega que significa "apenas por um dia" ou uma situação que dura muito pouco tempo. “Vivemos em tempos líquidos, e que nada foi feito para durar”. Esta é uma das frases mais conhecidas de Zygmunt Bauman, um dos expoentes da chamada “sociologia humanística”.

Vivemos o individualismo, a fluidez e a efemeridade das relações. Vivemos numa sociedade onde tudo tem caráter transitório, fugaz, passageiro ou mesmo de curta duração. Tudo precisa de rapidez, tudo é instantâneo e não temos mais tempo e paciência para nada que não ocorra em poucos minutos. Qualquer coisa que ultrapasse estes poucos minutos é considerada lenta.

Agora vamos analisar através do case da “Netflix” como as marcas estão conseguindo lidar com uma geração efêmera, sem apego e avida por novas experiências. Para a Netflix, a predição é o novo ouro da humanidade. Prever os hábitos de seus clientes é a principal causa do seu sucesso. Eles investem massivamente em tecnologia para realizarem um trabalho diário de análise de dados. Seus algoritmos e especialistas possuem habilidades analíticas para conhecer cada vez mais rápido os hábitos dos seus clientes. Eles estão focados em mudanças rápidas visando agradar a maioria do seu público.

Por exemplo, em alguns episódios de suas séries podemos observar alterações antes de serem exibidos, de um dia para outro, visando atender os anseios do seu público. Neste momento estamos assistindo uma “batalha” entre a Netflix com outros gigantes, como Amazon, Lovefilm e HBO. Todos querem cruzar nossos dados, fatos do nosso cotidiano e os conteúdos gerados por nós (Big Data). Somos analisados o tempo todo! Quem ganhará esta corrida eu não sei, porém, posso afirmar que é quem tiver as melhores informações e souber o que fazer com elas! Marcas que não se adaptarem tenderão a desaparecerem em poucos anos. E a sua empresa, está preparada?




Ricardo Cancela é entusiasta em inovação, empreendedor, palestrante e conselheiro em empresas