19/05/2017
COLUNISTAS
Falta humildade
Colunista da Folha de Alphaville

As três eliminações consecutivas que o São Paulo sofreu não parecem ter alterado a soberba do seu treinador. Quem ouviu Rogério Ceni falar nos últimos dias teve a sensação de que o São Paulo lidera todas as competições que disputa e joga um futebol de encher os olhos. Mas a realidade é bem diferente.

E Antônio Carlos Zago deu o exemplo. Após sofrer fortes pressões pela perda do Campeonato Gaúcho para o modesto Novo Hamburgo ele montou um time cauteloso para estrear na série B em Londrina. Colocou em campo três zagueiros, explorou os contra-ataques e ganhou de 3 a 0. Resultado: aliviou a pressão e ganhou tranquilidade para prosseguir o trabalho.

Sempre acreditei no Rogério Ceni treinador. Não concordo que ele não tem experiência. Sempre foi líder, trabalhou com técnicos de várias características e estilos e sabe como comandar atletas. Até outro dia era capitão e comandava o São Paulo dentro e fora de campo. Mas precisa reciclar seus conceitos. Precisa entender que dirige um time limitado, que não tem jogadores capazes de ditar o ritmo em todas as partidas.

Outro modelo que Rogério Ceni poderia seguir é Fábio Carille. Reconhecendo que o time que comanda não é recheado de talentos ele priorizou o ajuste defensivo, fez o time ganhar confiança e já levantou um título. Salvou a temporada. No mesmo dia da terceira eliminação do São Paulo, Ney Franco, hoje no Sport, admitiu que seu time deu vexame no Uruguai ao perder de 3 a 0 para o Danúbio, mesmo se classificando para a sequência da Copa Sulamericana nos pênaltis. Enquanto isso Rogério Ceni, cujo time não atingiu o objetivo, disse que estava tudo bem, argumentando com números totalmente improcedentes.

O homem Rogério Ceni está atrapalhando o técnico Rogério Ceni. Ainda é tempo de mudar. Jogando só aos finais de semana dá para arrumar o time, a partir do sistema defensivo. Mas é preciso humildade para reconhecer que o projeto até agora fracassou. Caso continue insistindo na soberba Rogério Ceni vai durar pouco na carreira que abraçou recentemente.




Jornalista e administrador esportivo. Trabalhou nos principais veículos de comunicação do país, foi gerente de futebol do Grêmio Barueri e secretário de esporte da cidade. Atualmente é âncora e comentarista da Rádio Transamérica.