12/10/2017
CIDADE
Famílias temem término do Ensino Médio no Tom Jobim
O possível fim do período está causando polêmica. A outra opção de escola é bem mais distante
Haydée Eloise Ribeiro Maciel
Incertezas. Margarete Pezzuto e a filha Jamile, que cursa o 9º ano, estão receosas com a possibilidade de mudança para outro colégio (Foto: Victor Silva/Folha de Alphaville)

O colégio municipal Tom Jobim, na avenida Marcos Penteado de Ulhôa Rodrigues, no Tamboré, corre o risco de não ter o Ensino Médio em 2018. No final de 2016, pais e alunos receberam a informação de que o período não continuaria e que os estudantes seriam transferidos para o Colégio Municipal Tenente General Gaspar Godoi Colaço, na região central de Santana de Parnaíba.

“Foi informado que assim que os alunos iam se formando fechariam as séries. Mas não cumpriram. Estudantes do 2º ano terão que se matricular em outra escola”, afirma o gerente de TI Fernando Vieira de Melo Neto, que tem a filha Julia no 9º ano. Segundo ele, são duas salas com 68 alunos no total.

Segundo Melo Neto, a prefeitura alega que não há procura por vagas no colégio. “Esse ano houve procura, sim, pelo 1º ano”, destaca. Julia está chateada com a possível mudança. “Vou perder contato com colegas”, diz. “A escola nos disse que alguns professores têm poucas aulas por semana, não gerando boa renda, e que assim não conseguem permanecer apenas no Tom Jobim”, ressalta ela.

Julia pega uma condução para chegar na escola. Se for estudar no Colaço, terá que tomar duas conduções ou os pais pagarem transporte escolar. A filha de Margarete Pezzuto, Jamile, está na mesma situação. Ela está no 9º ano e estuda no Tom Jobim desde o 1º ano do Fundamental I. A mãe enfatiza a distância. “Até a outra escola seriam de 10 a 11 km, o que fere a lei que determina que a distância tem que ser de 1 km e meio”, afirma Margarete, que já teve duas filhas estudando no Colaço. Uma delas, teve crise alérgica forte devido ao cheiro do rio Tietê. Ela abordou o prefeito, Elvis Cezar (PSDB), sobre a questão. “Ele disse não poder fazer nada.”

As famílias questionam a qualidade do Colaço. “A escola não leva tão a sério o estudo”, garante Margarete. Em Barueri, eles têm como opção a Fieb, onde realiza-se teste. Mas o número de vagas é limitado para quem não reside na cidade. “São duas vagas”, diz Melo Neto. Outras alternativas seriam a escola técnica e colégios particulares.

Margarete estuda a possibilidade de acionar a prefeitura judicialmente, “para que ela pague o colégio particular”, enfatiza a moradora. Segundo a prefeitura, por meio de nota, “avalia-se a permanência do Ensino Médio no Colégio Tom Jobim para 2018 com os critérios de atendimento da demanda de alunos. A possibilidade de acomodação dos cerca de 25 alunos do E.M. do Tom Jobim em outros colégios da cidade pode ocorrer por força do decreto 2869/2016, que estipula número mínimo de 40 alunos por sala de aula no E.M.

Diante da necessidade de transferência, os alunos serão atendidos no Colégio Municipal Tenente General Gaspar Godoi Colaço, um dos mais tradicionais da cidade que, como o Tom Jobim, é considerada uma das 30 melhores escolas do E.M. do Estado de SP, em destaque no Enem”.