08/09/2017
CIDADE
Homem em ação libidinosa assusta em viação que passa em Alphaville
Em nota, empresa de transporte orienta que em casos dessa natureza, os motoristas precisam ir até o posto policial mais próximo
Haydée Eloise Ribeiro Maciel
Dra. Luiza Eluf, advogada criminalista, ressalta a importância de se realizar em o Boletim de Ocorrência e das mulheres não terem medo de lidar com a questão (Foto: Arquivo Pessoal)

Casos de atentado ao pudor em ônibus repercutiram em São Paulo nos últimos dias. Um homem chegou a ejacular em mulheres, ser preso e solto, e no dia seguinte ser preso novamente pela mesma ação. Alphaville teve um caso parecido que agitou as rede sociais essa semana. A moradora Maria da Graça Hernandes postou, no grupo Reclamômetro de Alphaville, que sua filha, passageira diária da linha Paraíso - Alphaville da viação Urubupungá, passou por problema semelhante. “Ela presenciou a denúncia de um outro passageiro ao motorista de que havia um homem, sentado no fundo do ônibus, que estava se masturbando”, relatou Maria da Graça.

Ainda segundo o seu desabafo, o motorista parou, foi até o fundo do ônibus, olhou e voltou, dizendo que nada podia fazer. E, ainda, segundo o motorista, esse passageiro vai e volta para São Paulo todos os dias e que no dia seguinte, conversaria com o passageiro sobre o seu comportamento. “Pela manhã, no dia seguinte, o fato aconteceu novamente”, acrescenta ela.

Segundo nota da Urubupungá, a orientação passada aos motoristas é que conduzam o ônibus até o posto policial mais próximo. A empresa não tem nenhum Boletim de Ocorrência registrado com esse tipo de problema. E acrescenta que a segurança pública é dever do Estado, inclusive a constituição veta qualquer empresa de transporte público a possuir um corpo de segurança próprio. Maria da Graça e a filha, contudo, não fizeram B.O.

A Dra. Ivna Schelble, delegada Titular da Delegacia de Defesa da Mulher de Barueri, indica procurar uma delegacia, relatar os fatos para que o delegado atribua a natureza do ato e tome as devidas providências. “O ato pode ser uma contravenção penal, um crime de estupro, um ato obsceno, um constrangimento. Cada caso é um caso e tem nuances”, destaca. A vítima pode se deslocar até a Delegacia da Mulher ou mesmo uma delegacia comum. Segundo a advogada criminalista Dra. Luiza Eluf, se masturbar com ejaculação atingindo outra pessoa é estupro, se enquadrando no artigo 213 do Código Penal. “Presenciar a masturbação enquadra-se em contravenção. Mas se o mesmo encostar na vítima, já é considerado estupro”, explica Luiza.

Ela ressalta a importância do B.O. para que a polícia possa agir. “As mulheres não devem ter medo. O ideal é que fotografe a pessoa e vá para a delegacia. Sugiro até fazer escândalo”, afirma. Com o registro, fica mais fácil cobrar da companhia de ônibus. “E se repetir o caso e a empresa não tomar as devidas providências, a vítima pode pedir uma indenização”, finaliza a advogada.