15/06/2017
CIDADE
Clínica de Alpha inova com a vacina sem dor
Empresa é pioneira ao trazer ao país óculos de realidade virtual que distrai criança
Lucia Camargo Nunes
Lilian com os Supervalentes. Fotos: Lucia Camargo Nunes/Folha de Alphaville

Quem tem filhos sabe das dificuldades que enfrenta ao ter de levá-los tantas vezes aos postos de saúde e clínicas para vacinar. E quanto maior, pior: de acordo com especialistas, a resistência cresce após os 3 anos. Até os 5 anos, o calendário oficial do Ministério da Saúde prevê mais de 30 diferentes doses, além de outras indicadas por pediatras e que não fazem parte das obrigatórias.

Em Alphaville, uma clínica particular é pioneira no método de vacina sem dor com a utilização de óculos virtuais. A Vacinville, no Medic Life, já utiliza há cerca de 8 anos o Buzzy, dispositivo do tamanho da palma da mão que usa a tecnologia que alia os benefícios da vibração em alta frequência com bolsas de gelo. Há pouco mais de 15 dias, a doutora Lilian Zaboto, diretora médica da Vacinville, introduziu os óculos virtuais.

“Sou pediatra há 20 anos, sou mãe e sei da angústia de cada criança que toma vacina. Trabalho com vacina há 15 anos e sempre há um momento traumático. Quando bebê é mais traumático para mãe, mas para crianças acima de 5 anos é um pânico, elas esperneiam, saem correndo, fogem, gritam. Sempre pesquisei artifícios que diminuíssem o medo e a dor. Há uns 8 anos eu trouxe o Buzzy e teve uma diferença muito grande na adesão. Agora esse investimento dos óculos eu fui estudar, é comprovado cientificamente, não é uma aventura, e trouxe para o conforto de pais e crianças”, diz Lilian, preocupada em reduzir a baixa adesão às vacinas. “Muita mãe não leva o filho para vacinar por causa do trauma à criança. Isso não só não protege a criança como a torna uma grande disseminadora de doenças”, alerta.

Lilian foi no ano passado a Santa Bárbara, Califórnia (EUA), para uma clínica que realizou um trabalho com 240 crianças e observaram uma diminuição brusca de dor e pânico com o uso da realidade virtual. “Nos EUA várias especialidades já usam (dentistas, laboratórios, etc.)”, afirma a médica. “Já tínhamos os mascotes Supervalentes, aos quais demos vida, eu mesma fiz o roteiro com meu filho e uma empresa desenvolveu o vídeo com a historinha em 360 graus, então somos pioneiros nisso.”

Hoje ela conta com 5 óculos na clínica, sem qualquer custo ao paciente. Em 15 dias ela calcula ter recebido um aumento de movimento de 30% e vacinado quase 700 pessoas, incluindo crianças, adolescentes e adultos. Nos pequenos, o indicado é usar a partir dos 4 anos. Só o investimento com os óculos foi de R$ 80 mil.


Criança utiliza o óculos virtuais enquanto enfermeira aplica vacina.

O procedimento é simples e dura cerca de 3 minutos. A enfermeira coloca os óculos na criança e já começa os preparativos. Na história, surgem os Supervalentes, mascotes da clínica, que chamam as crianças para lutar contra vírus e bactérias. Fala sobre o poder do gelo, quando é colocado o dispositivo gelado que proporciona vasoconstrução no local. Em seguida o Buzzy vibra e ameniza a dor ao enganar o cérebro. E tem o poder do fogo, quando é avisada da agulha e vacinada. Assim ela se torna uma criança supervalente, recebendo um adesivo para tal feito. Por não ver a agulha e estar com foco em outra coisa, a criança não sente ou sente pouca dor.

“Muito importante ressaltar que em qualquer procedimento invasivo, a enfermagem avisa o momento de cada etapa, isso é norma nossa. Mesmo com os óculos vai avisando da assepsia, do local. O vídeo mostra de maneira lúdica e avisa sobre cada etapa da vacinação, sem mentira. Como, ‘agora é o momento da picada’”, explica a diretora da Vanciville.

Mesmo que a criança seja traumatizada com agulhas, ela deve ser informada que vai tomar vacina. “Os pais não podem passar insegurança, não podem dizer ‘você precisa ser forte, corajoso’, porque assusta a criança. Nem sob ameaça, como ‘se você não obedecer vai tomar vacina’. O ideal é informar que a vacina é para prevenir doenças, para não ficar internado”, destaca a médica.

Vacinas contra meningite são as mais procuradas

Uma vacina que nos últimos 2 anos é indicada por pediatras vem rodeada de mitos. A vacina contra a meningite B, além de ser cara (custa a partir de R$ 600 e é aplicada em 2 doses) geralmente traz efeitos colaterais – além da dor local intensa, febre.

“Existem reações como com qualquer vacina, é um pouco mais dolorida, mas é a que tem maior procura na clínica hoje porque é nova e não está no calendário oficial, mas faz parte do calendário da Sociedade de Pediatria”, afirma Lilian Zaboto, diretora médica da Vacinville, que oferece procedimentos que amenizam a dor durante e após a aplicação.

Ela ressalta também a importância de a criança tomar a ACWY (outras variações de meningite), que não é oficial, mas é uma doença muito perigosa e que mata.

“A meningite é uma doença gravíssima. Cem por cento levam à internação e pode levar a sequelas ou à morte”, explica a médica.
Importante pontuar que nenhuma vacina dá 100% de imunidade. Lilian explica que ela é considerada segura a partir de 85% e a Meningo B, por exemplo, possui acima de 90% de segurança.

Outra vacina recente é a contra dengue, indicada para pessoas de 9 a 45 anos e aplicada em 3 doses. E acima de 60 anos é recomendada a vacina Pneumo 13, que combate meningite e pneumonia.