12/10/2017
CADERNO A
Voz e Alma
Giovanna Maira, moradora do Tamboré, canta e encanta pela sua história
Katherine Cifali
Desde pequena, a cantora lírica Giovanna Maira estuda música. (Foto: Acervo Pessoal)

Basta uma apresentação da cantora lírica e compositora Giovanna Maira para se encantar por ela. Mas a admiração ficar ainda maior depois que o público conhece sua história.  

Com 1 ano e 2 meses de vida, a moradora do Tamboré há mais de 5 anos, perdeu a visão após ser diagnosticada tardiamente com um raro tumor ocular, o retinoblastoma. “Na época os médicos disseram que a doença me levaria à morte. Eles falaram que eu não ia sobreviver porque o câncer era muito agressivo e foi diagnosticado muito tarde, ou seja, não tinham o que fazer além da cirurgia”, relembra Giovanna Maira, que após o procedimento perdeu a visão.

Aos 3 anos, Giovanna, nascida em Santa Cruz do Rio Pardo, interior de São Paulo, começou a estudar piano, aos 5 teclado e aos 10 iniciou as aulas de canto. “Meu avô por parte de mãe era percussionista e fazia parte de um grupo de boêmios. Ele chegou a tocar com Ângela Maria, Nelson Gonçalves e outros, mas no bar, por diversão, não vivia daquilo”, conta Giovanna, sobre a relação de sua família com a música.

A cantora lírica conheceu a vida cega, portanto, aprendeu que era “diferente” e lidou com o preconceito desde pequena. Mas, para ela, o mérito é de sua mãe, Valquiria Maria da Rosa Silva. “Minha mãe sofreu muito no começo, mas me preparou para a vida. Me ensinou a tropeçar e cair em pé”, diz Giovanna Maira.

Os ensinamentos lhe renderam shows internacionais e concertos, como o que fez com o maestro João Carlos Martins (Foto: Acervo pessoal)

Com 31 anos de idade, a cantora entende que as limitações são mais “criadas” pelas pessoas do que por sua deficiência visual. “As pessoas achavam que por eu não conseguir ler partitura eu não seria capaz de aprender piano, por exemplo. Então a gente foi desmistificando algumas barreiras. As pessoas estão mais abertas, mas ainda existe muito preconceito velado, não chegam a comentar, mas também não te abrem as portas”, relata ela sobre o mercado.

Apesar das dificuldades, ela coleciona grandes momentos na carreira musical, entre eles concertos ao lado do maestro João Carlos Martins e cantores como Daniel, apresentações no Planalto Central, em Brasília, e shows internacionais nos EUA, México e Jamaica.

Após o lançamento da autobiografia “Escolhi a Vida”, em 2016, Giovanna trabalha no CD “A Bela e os Tenores”, em parceria com Jorge Duran e Armando Valsani. O show de lançamento vai acontecer no dia 17 de novembro, no Teatro J. Safra, em São Paulo. Em 18 de novembro, às 21h, também no Teatro J. Safra, Giovanna participará do show “Agnaldo Rayol, 60 anos depois”.

Mas o próximo evento com a cantora é ainda em outubro. No dia 20, às 20h, Giovanna mostrará seu repertório de crossover – mistura de música erudita e popular – no Alphaville Tênis Clube, durante o jantar beneficente do Rainha da Paz.