05/07/2017
CADERNO A
Barueri no topo: município é reduto da sétima arte
Pesquisa da Agência Nacional do Cinema (Ancine) revela que o município teve a maior relação de ingresso per capita no Brasil no ano de 2016
João Felipe Cândido
Cinépolis VIP no Iguatemi Alphaville (Foto: Divulgação)

As salas de cinema do Brasil bateram novo recorde de público em 2016. Dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), mostram que 184,3 milhões de espectadores foram ao cinema, gerando uma receita bruta de R$ 2,6 bilhões.  Os filmes nacionais foram responsáveis por 30,4 milhões dos bilhetes vendidos, o maior patamar desde a década de 1990. A participação brasileira sobre o total de bilhetes vendidos foi de 16,5%, o que movimentou uma renda de mais de R$ 362 milhões.

O Brasil bateu um novo recorde de filmes lançados: 143 obras brasileiras tiveram sua estreia em salas de exibição em 2016. O longa nacional “Os Dez Mandamentos - O Filme” atraiu 11,3 milhões de espectadores e ocupou a primeira posição do ranking com a melhor bilheteria do ano. Outro destaque foi o desempenho do filme Minha mãe é uma peça 2, que estreou em 1.055 salas.

Com exclusividade, a reportagem da Folha de Alphaville recebeu a última pesquisa da Ancine que o município repetiu o resultado do ano anterior: de acordo com a população em 2016 estimada pelo IBGE, o município com a maior relação ingresso per capita foi Barueri com 5,79 ingressos vendidos por habitante. Em seguida vem Votorantim (SP) com 4,46 ingressos por habitante e Balneário Camboriú (SC) com 4,02 ingressos por habitante (ver quadro ao lado). Quem comemora os resultados expressivos é o diretor comercial da rede Cinépolis, maior operadora de cinemas da América Latina e a segunda no mundo, Paulo Pereira, 33. “Atualmente, oferecemos 18 salas de exibição somente em Barueri – sendo nove no Iguatemi Alphaville e nove no Parque Shopping”, diz. A concorrente Cinemark também conta com nove salas no Shopping Tamboré.

Para Barueri chegar a esse resultado, o estudo da Ancine dividiu o total de ingressos comercializados nos três cinemas do município, composto por 27 salas, que atenderam mais 1,5 milhão de pessoas somente no ano passado. A consultoria Filme B também confirma que a Barueri é o 20º município com mais salas, em número absoluto, do país.

Na teoria, ao longo do ano passado, cada morador da cidade de Barueri teria que assistir ao menos seis filmes em um dos três cinemas estabelecidos na cidade. Mas na prática não é bem assim. “É importante ressaltar que a região também recebe um grande público de outras cidades como Carapicuíba, onde inauguramos cinco salas de cinema no ano passado, Jandira, Itapevi e Osasco”, salienta o executivo da Cinépolis.

Segundo o IBGE, hoje, a população estimada de Barueri está na casa dos 265 mil habitantes. Já o público flutuante, é composto por 250 mil pessoas que trabalham na cidade de segunda a sexta, segundo a Associação Residencial e Empresarial Alphaville - Area), também deve influenciar o aumento do público dos cinemas da cidade, que sempre está em busca de experiências e serviços diferenciados, como é o caso das salas VIP, no Cinépolis, e Prime, no Cinemark. Além de oferecer um lobby exclusivo para aguardar o início da sessão, esse tipo de sala com conceito premium consegue cativar o cliente por meio de alimentos e bebidas selecionadas, como espumante, carta de vinhos, whisky e vodka. A unidade do Iguatemi Alphaville chegou a ser classificada pela revista Época, em 2011, como o melhor cinema de São Paulo.

Evolução do mercado
Nos últimos anos, o universo do entretenimento ficou cada vez mais pulverizado com a explosão das redes sociais, Netflix, streaming, séries de TV e blu ray, mesmo assim, o cinema se manteve incólume. Prova disso? Entre 2010 e 2015, o número de ingressos vendidos aumentou mais de 50%, segundo dados da Filme B. Já o faturamento em 2015 cresceu 20%.

Na região não foi diferente
Até o início de 2011, os baruerienses tinham apenas uma rede de cinema à disposição, a Cinemark, no Shopping Tamboré. Naquele mesmo ano, a chegada de dois grandes centros de compras à região, o Iguatemi Alphaville e, na sequência, o Parque Shopping Barueri, mudou completamente o cenário, antes dominado pela rede americana.

Neste momento, quem domina com folga em número de salas na cidade é a rede mexicana Cinépolis, que emprega somente no município 120 funcionários e atende um público formado em sua maioria pelas classes A, B e C. Quem marca presença semanalmente em uma das salas da Cinépolis é a cinéfila e estudante Beatriz Oliveira, 20, que mora em Alphaville. “Sou muito elétrica e o cinema me ajuda a relaxar. É um momento só meu. Assisto em média dois filmes por semana”, diz a jovem cinéfila, que costuma gastar entre pipoca e ingresso, de R$ 35 a R$ 45.

Barueri no pódio
O parque exibidor brasileiro encerrou o ano de 2016 com o total de 3.168 salas de exibição em funcionamento – faltam apenas 108 salas para igualar o patamar histórico de 3.276 salas de 1975. Segundo dados da Filme B, conhecida no mercado como o “IBGE do cinema”, do total de 5.570 municípios brasileiros, apenas 371 disponibiliza ao menos uma sala de cinema para a população. Ou seja, o mercado cinematográfico tem tudo para manter o ritmo de crescimento no Brasil. Nem todos os roteiros de cinema são feitos com finais felizes, no entanto, se Barueri continuar nesse ritmo, a cidade passará longe de viver um drama neste mercado promissor.

Paulo Pereira, da Cinépolis: executivo é responsável pela programação, marketing, mídia, alimentação e bebidas da rede (Foto: Victor Silva/Folha de Alphaville)

"Os cinemas da região oferecem oferta maior de programação  customizada. Infraestrutura e atendimento personalizado também influenciam o resultado”, afirma Paulo Pereira, diretor comercial da Cinépolis.

O cinema me ajuda a relaxar e proporciona a possibilidade de mergulhar em outros mundos. Só não gosto de filmes de terror